Você me fez bonita. Assim, através dos seus olhos, me refletindo neles eu finalmente consigo enxergar a mulher bonita que eu talvez realmente seja. Sabe aquelas coisas de feitiço, de "amor é cego", coisa e tal? É mais ou menos isso. Eu me olho no espelho e me olho com seus olhos. Procuro aquele detalhe no meu sorriso que você diz que gosta ou de como meus olhos ficam quando um pouco de cabelo cai neles. Você me olha com olhos puros, a explicação pode ser essa ou simplesmente porque você me fez bonita. Você me tornou essa mulher. Eu que nunca fui fã de me olhar no espelho, hoje, todas as vezes que passo por um, dou uma olhada. Uma mínima olhada que seja e sempre imagino que você está de frente pra mim, me olhando de volta e dizendo o quanto eu sou bonita. Isso me faz sorrir automaticamente. E eu não me impeço de sorrir, mesmo estando em frente a várias pessoas. Sabe por que? Porque você diz que gosta do meu sorriso e ele é lindo. Se você gosta e diz isso, pra que evitá-lo? Mesmo que você não esteja olhando, eu sei que gosta. Você sabe quando eu estou sorrindo até através do telefone. Você diz que me conhece mais do que eu mesma e eu percebi que é verdade. Você sabe o que acontece comigo quando nem eu mesma sei. Você conhece cada tracinho do meu corpo, cada partezinha da minha mente e consegue domá-los de uma forma que eu não consigo. Mas quer saber o mais impressionante disso tudo? Você não se conhece assim tão bem, mas eu, eu te conheço como a palma da sua mão. Eu sei cada caminho que as linhas vão formar, assim como cada caminho do seu corpo, desde as partes mais sensíveis, até as mais duras. Eu nem preciso te virar do avesso pra saber o que está acontecendo. Você é transparente pra mim de uma maneira que não é pra você mesmo. Talvez você tenha nascido pra eu te desdobrar de uma maneira que só eu consiga entender e vice-versa. Mas você também me fez exagero. Exagero em tudo relacionado a você. Amor. Preocupação. Paixão. Saudade. Tesão. Respeito. Orgulho. Carinho. Vontade. Desejo. Eu me transformei no exagero quando se é relacionado a você. É preciso que eu grite, exalte, esbraveje, repita todos os meus sentimentos e nem assim, essa sensação de sufoco sai. O meu amor por você me sufoca, mas é bom. Dói o peito. Dói o coração, mas é bom. É como se, ao doer, eu percebesse que o amor continua crescendo pra esse coraçãozinho aqui suportar. Você sempre disse que eu tenho um coração enorme, mas, meu amor, se é tão enorme assim, por que não consegue suportar o amor que eu sinto por você? Eu preciso dá-lo em doses pra você. Tem vez que quero te embriagar, tem vez que quero apenas que deguste, mas sem nunca esquecer que o estoque é interminável, É como se fosse um bar propriamente seu. Você é o único consumidor e pode tanto ficar bêbado de amor quanto apenas alegrinho em uma noite, mas sem nunca, jamais parar de frequentá-lo. Esse teu lugar é pra sempre. Você simplesmente habitou o lugar e se fez dono e eu não fiz objeção nenhuma. Nunca fiz e muito menos algum dia eu farei. Você é o dono do lugar. Dono do meu coração. Repetir isso é como se repetir a tabuada do dois incansavelmente, pois é a única que você sabe decorada e que todos estão cansados de ouvirem, mas você já me disse que nunca cansa, então eu nunca pararei de dizer. Antes eu que era adeus, hoje sou fica. Fica do meu lado, amor. Fica comigo, amor. Fica perto, amor. Eu nunca tive medo de escuro, mas o escuro longe de você é amedrontador. As madrugadas sem a sua respiração no meu ouvido não são tão boas. Fica colado em mim, amor. Fica pra sempre, amor. Sou nada sem você. Ser nada é alguma coisa, mas pouca. Com você, sou tudo. Ser tudo é alguma coisa, muita coisa. Você me fez muita coisa. Você é tudo. Tudo de melhor na minha vida. Tudo que eu jamais trocarei. Tudo que eu preciso você tem numa quantidade perfeitamente suficiente pra me saciar. Amor, você me fez bonita...
sábado, 15 de novembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Moço...
Ele chegou com uma naturalidade segurando seu cigarro entre os
dedos não tão grandes e não tão finos, mas ora, ele não fuma! Ele não é
Augustus Waters para usar o cigarro como uma metáfora para aquilo de que você
sabe que faz mal, mas não dá o poder para que ele realmente te faça esse mal,
porém é tão lindo e encantador quanto. Se não for mais. Sim, definitivamente
ele é mais. E aquele sorriso que ele abriu assim que me viu? Ah...
Parafraseando John Green, "aquele sorriso seria capaz de pôr fim a guerras
e curar o câncer". Certeza de que seria. Olha como os cantos se erguem em
perfeita sintonia enquanto os lábios se desgrudam para que forme finalmente
aquele sorriso branco capaz de iluminar uma cidade inteira na escuridão? Ele
não tinha um cigarro em mãos, mas tinha algo tão poderoso quanto: o amor. Mas
eu não sabia que era isso até ele me olhar e mergulhar na imensidão marrom que
são meus olhos. Era possível alguém ver a alma de outra pessoa através dos
olhos? Porque eu não sei como, de alguma maneira, senti que ele viu a minha. Eu
precisava manter a calma e ser apenas educada, afinal, eu não queria me
entregar de bandeja — apesar de cada parte do meu corpo gritar por isso — e nem
parecer fria demais para espantá-lo. Até porque, quem gostaria de espantar um
rapaz feito este? Mesmo que ele nem esteja olhando pra você, só a presença dele
ali já te faz se sentir bem. Já comentei sobre o cheiro dele? Ainda não, né?
Agradeci mentalmente a Deus por ter mando uma pequena brisa exatamente naquele
momento, que fez meus cabelos voarem e o cheiro dele adentrar não só meu nariz,
como minha mente, me deixando momentaneamente desnorteada. Minha vontade
naquele momento era de me aproximar e cheirar delicadamente seu pescoço,
guardando o cheiro dele no meu consciente. Delicadamente? Quem eu quero
enganar? Minha vontade era de abraçá-lo e não só guardar o cheiro dele na minha
consciência, como grudá-lo em meu corpo pra sempre. Moço, você não quer se
grudar em mim pra sempre? Não sei se fui eu quem se aproximou um pouco dele ou
ele de mim, só sei que por três segundos, nossas mãos fizeram contato e eu que
pensava que aquelas correntes elétricas que lemos em livros e contos não
existiam, estava enganada. Eu senti meu corpo todo quase se eletrocutar diante
daquele mínimo toque. Como pode alguém ter tanto poder sobre outra pessoa? Nós
mal nos conhecemos, só trocamos alguns olhares e acenos educados de cabeça. Mas
você pode tocar em algum assunto comigo se quiser. Já viu como o céu está
bonito? Olhe aquela nuvem como tem forma de um cachorro! Eu adoro procurar
formas em nuvens, sei que é bem infantil, mas me faz admirar ainda mais a
imensidão do céu azul claro. Porém, só não é mais bonito do que admirar um céu
completamente estrelado. Você está olhando para o céu também e está sorrindo.
Moço, você poderia sorrir assim pra sempre? Deveriam dar um dia do ano para o
seu sorriso. Em homenagem a ele. Aliás, ele deveria se tornar uma das sete
maravilhas do mundo. Por que não? Ele é tão lindo, alguém já disse isso pra
você? Eu queria demais ter coragem e perguntar essas coisas pra você e não
ficar só pensando, pensando e pensando. Na verdade, eu queria ter coragem de te
olhar. Mas eu tenho medo de encontrar seus olhos fixados em mim e cambalear.
Mais uma brisa, mais uma vez seu cheiro me domina. Eu sorrio e me assusto ou te
ouvir dizer que eu tenho um sorriso lindo. Eu? Sorriso lindo? Por favor, você
já olhou o seu sorriso no espelho? Provavelmente ou certamente minhas bochechas
devem ter virado dois tomates, pois te ouço gargalhar e dizer que não preciso
ficar com vergonha. Obrigada por me traírem, bochechas, obrigada. Espera, sua
gargalhada talvez seja mais bonita que seu sorriso. Como isso é humanamente
possível? Não, não é! Ou é. Ou talvez empatem. Agora então percebo que você se
aproximou mais de mim propositalmente e rapidamente puxo minha mão que estava
espalmada e levo uma mecha de cabelo pra trás da orelha, com medo de te
encarar. Eu ainda não esqueci que você tem o amor nas mãos, moço. Isso é
perigoso, tire de perto de mim. Já mexi com isso uma vez e me machuquei. Duas
vezes, aliás, não quero novamente e, por mais que você pareça ser um cara
sensacional e que cuidaria muito bem do meu coração, eu não quero correr o
risco de novo. Tá, eu sei que a vida é feita de riscos e quem não se arrisca
não vive e aquele blá-blá-blá de frases feitas e frases de apresentadores de
programa de sábado a tarde, mas se você já tiver sofrido, irá entender. Não
devemos desistir do amor também, eu sei. Talvez eu não tenha desistido, talvez
eu tenha dado uma pausa até estar completamente recuperada, é isso! Por que
seus olhos parecem tão tristes? É um contraste gigantesco com esse sorriso
lindo que estampa seu rosto. Moço, não fique assim. Você já sofreu também, não
é? E eu aqui só pensando em mim, que egoísta! Olha, vou me arriscar e alisar
seu rosto, tá? Mas, por favor, ainda mantenha esse negócio das suas mãos longe
de mim. E, por sinal, você tem mãos lindas! Eu me apaixonaria fácil por elas.
Eu me apaixonaria fácil por você. Você deita seu rosto em minha mão enquanto eu
te faço um carinho e fecha os olhos, me fazendo sorrir ao te ver abri-los e
perceber que a tristeza ali não habita mais. Bem melhor, moço. Bem mais bonito.
Bonito? Quem eu estou querendo enganar de novo? Bem mais lindo, moço. Acho que
você está mexendo comigo. Definitivamente você está. Acho que isso pode ser uma
boa coisa. Essa coisa de "achismo" nunca foi muito a minha praia, mas
pode ser que comece a dar certo. Eu sorrio, se você sorrir também. Te faço
sorrir e você me faz sorrir, combinado? Coisa simples. É fácil me fazer sorrir.
Uma dica? Apenas diga um "oi" pra mim. Acho que você está começando a
me dominar. Aliás, tenho certeza disso. Ah, moço, por que tão encantador?
Talvez não seja um completo mau negócio você me dar um pouco disso que tem em
mãos pra segurar. Divida comigo. Nossa, eu não tinha noção de como isso é
pesado. Agora está melhor dividindo comigo? Que bom, é bom ser útil. Moço, acho
que algo está acontecendo, acho que acabei me entregando. Isso é bom pra você?
Porque se for, pra mim está ótimo. Estou gostando como isso fica em minhas
mãos, mas acho que só porque veio de você. Talvez o amor não seja algo tão ruim
assim quando se encontra a pessoa certa. Agora entendo o porque sofri antes e
porque não deu nada certo. Não era pra ser com eles. Era pra ser com você.
"E sim, eu quero grudar em você pra sempre". Acho que ouvir isso de
você naquele momento foi melhor do que qualquer eu te amo.
Achei que fosse amor...
Eu
pensava ser amor. Achava que era amor. Achava que era amor porque eu achava
aquela sua mania infeliz de me tirar do sério uma "gracinha". Achava que era
amor porque adorava quando você teimava comigo. Achava que era amor mesmo não
gostando de alguns cantores que você curte. Achava que era amor aquela vez que
você me olhou de moletom e disse que eu não precisaria de mais nada, que eu
estava linda daquele jeito. Achava que era amor aquela vez que você me acordou
e disse que gostava de mim daquele jeito, meio boba, como eu dizia ficar sempre
que acordava. Achava que eu não conseguiria carregar esse"‘amor" todo dentro de
mim sozinha.. sempre achei que uma hora ou outra ele iria explodir. Achava que
era amor, porque jurava que o meu coração havia mudado as batidas de "tum-tum" para o seu nome. Achava que era amor, porque eu me sentia bem ao seu lado,
sentia que não precisava fingir ser algo que eu não era só pra te agradar,
porque você sempre mostrou gostar de mim da maneira que eu era. Eu achava que
você era o homem da minha vida ou o futuro pai dos meus filhos, porque só de
ouvir a sua voz, meu coração quase saltava da minha boca. Eu podia imaginar nós
dois juntos, convivendo dia-a-dia, lado-a-lado. Podia imaginar como nossas
discussões terminariam ou como faríamos as pazes no dia seguinte. Qual de nós
dois daria o braço à torcer, por exemplo. Eu jurava que era amor quando me
apaixonei por uma música que eu não gostava quando te ouvi cantar. Achava que
era amor no momento em que me deparei com nós dois fazendo planos ou escolhendo
os nomes dos nossos futuros filhos. Achava que era amor quando você me disse
que queria ter dezesseis filhos e eu não protestei, apenas ri, concordando.
Podia ter sido amor também quando você me fez chorar ao escrever um texto pra
mim, expondo seus sentimentos, que parecia também ser amor. Tudo indicava que
era amor. Tudo apontava na direção do amor. Estavam lá, todas aquelas setas
enormes e luminosas praticamente gritando em meus ouvidos ou esfregando nos
meus olhos a palavra amor, amor, amor, amor… Porque era o que parecia estar
entre a gente. Parecia nascer isso entre a gente. Amor. Só que talvez não
fosse. Ou talvez fosse quando comecei a te conhecer melhor e saber que café era
teu vício e que você não se dava tão bem assim com teu pai. Talvez fosse amor,
porque eu poderia ouvir a tua risada vinte e quatro horas por dia, que não
reclamaria momento algum. Achava que era amor, porque quando desligávamos o
celular, eu já queria te ligar de novo e te ouvir perguntar o que havia
acontecido e eu apenas responder: "Nada, eu já estava com saudade". Achava que
era amor quando passávamos a manhã inteira trocando mensagens e logo em seguida
você me ligava e dizia já estar com saudades. Eu até te perguntava se tinha
como isso acontecer e você sempre respondia que a cada segundo que se passava,
a saudade aumentava, e só cessava quando você estava falando comigo. Como isso
não podia ser amor? É, mas não era. Talvez sim. Talvez sim no dia em que você
me pediu pra te namorar às três e vinte e sete da madrugada, alegando talvez
não ser o cara certo pra mim, mas que iria tentar e iria me fazer feliz como o
tal cara certo jamais faria. Eu acreditei ser amor e aceitei o pedido. Aceitei
porque eu tinha certeza, que mesmo você dizendo não me merecer, quem não te
merecia era eu. Aceitei porque eu tinha certeza, tal como dois e dois são
quatro, de que era você o cara certo. Tudo indicava que fosse! E mesmo que não
fosse, eu te faria ser. Eu te moldaria até se tornar o tal cara certo. Não
tiraria nenhum dos teus defeitos, porque eles davam o toque de perfeição em ti
que eu tanto amava. Tanto adorava. Tanto admirava. Achava que era amor porque
eu aceitei aquele seu pedido de casamento despretensioso, assim como você
aceitou os meus tantos pedidos de casamento feitos fora de hora. Achava que era
amor por causa do ciúme doentio que eu sentia por você. Sentia ciúmes daquela
sua ex, mas não admitia, porque não queria que pensasse que eu era fraca ou
possessiva. Mas eu era. Ambos. Fraca, porque morria de medo de te perder. E
possessiva, porque morria de medo de te perder. Em dobro. Em triplo. Porque
sempre tive certeza de que tinham outras melhores que eu lá fora. Que poderiam
te fazer mais feliz, mais sorridente, porém não mais amado. Não mais amado
porque eu achava que era amor. Jurava que era amor. O que eu sentia só podia
ser amor. Mas não era. Na verdade, era sim. Era não, é. É amor porque eu sinto
a sua falta cada segundo que se passa no relógio. É amor porque eu ouço a sua
voz me chamando mesmo sem estarmos conversando. É amor porque a cada dia que
passa, sinto meu peito quase explodir, querendo te gritar, te pedir pra voltar.
Mas talvez não fosse amor suficiente pra te fazer ficar. Talvez não fosse amor
suficiente pra não te fazer ir embora. Achava que era amor, porque achava que
você fosse ficar grudado em mim pra sempre. Preso em mim pra sempre. Preso
mesmo. Como se fosse uma prisão. Te prenderia e não deixaria ninguém te ver, te
tocar. Talvez a culpada não fosse eu. Talvez fosse você. Ou talvez não fossemos
nenhum de nós dois, e sim o destino que nos uniu e depois de alguma maneira nos
separou. Achava que era amor no momento em que apenas imaginar ficar sem você,
doía e me vinha aquele bolo de lágrimas na garganta. Achava que era amor. Mas
não era apenas amor. É amor. E é amor dos mais puros e mais bonitos que já vi e
talvez já senti em toda minha vida. E é tão amor que eu estou disposta à
esperar o tempo que for, por que como viver feliz sem o que você vê que é a tua
felicidade em forma humana?
domingo, 26 de outubro de 2014
Não é doença, o doutor disse. É só amor.
Eu vou ficar louca. Sim, eu vou. Não, eu não posso ficar louca. Mas o que eu vou fazer? Vou acabar explodindo, meu Deus do céu! Já sei! Vou naqueles doutores em que a gente deita no tal sofazinho e conta todos os problemas pra ele, sabe? É, é isso. E eu fui. Eu fui no tal doutor. Marquei a minha consulta e cheguei lá com alguns minutinhos de antecedência e não esperei muito pra que fosse chamada pra entrar na sala. Entrei e não tinha nenhum daqueles sofás que eu tinha imaginado que ia deitar, já queria ir embora dali na hora, onde já se viu enganar as pessoas daquele jeito? O doutor resolveu se sentar na cadeira do meu lado e pediu que eu me virasse de frente pra ele. Ê, doutor, não venha querendo me cantar, eu tenho idade pra ser sua neta, cê sabe disso, né?
— Pois bem, filha — ufa, ele sabe —, diga-me o porque está aqui.
— Eu vou explodir, doutor!
— Por que acha isso?
— O senhor devia saber.
— Eu sou médico, minha querida, não vidente — esqueceu do grosso.
— Mas não é só sobre isso que o senhor trata?
— Está apaixonada? — abaixei a cabeça. — Não precisaria nem ser vidente pra saber que era isso. Me conte exatamente o que anda sentindo para pensar que pode explodir.
— Doutor, esse sentimento tá crescendo aqui dentro eu sinto como se não fosse mais caber dentro de mim, sabe? Já transbordou do meu coração porque nem nele mais tá cabendo às vezes eu fico até sufocada entende doutor eu não sei como ainda não explodi porque é tudo muito grande e muito intenso eu tô começando até a falar o nome dele sem perceber chamar as outras pessoas pelo nome dele e se isso não é amor pode ser loucura mas é amor doutor eu sei que é amor.
— Filha, calma, respira fundo — foi então que eu me dei conta de que tinha soltado as palavras tudo como uma metralhadora. Fechei os olhos e respirei fundo. — Mais calma? — assenti. — Certo, então agora me fale o que você sente quando está falando com ele.
— Ah, doutor — suspirei — é a melhor parte do meu dia. Todas as vezes em que nos falamos, seja ele me mandando uma mensagem agora e outra daqui duas horas, é como se tivesse um interruptor aqui dentro de mim que ligasse e um sorriso instantâneo vem ao meu rosto, sabe? É doentio isso? Porque se eu pudesse, eu falaria as vinte e quatro horas do dia com ele e se possível, inventaria até mais uma ou duas só pra poder estender a nossa conversa.
— E quando vocês não se falam, o que você sente?
— Saudade.
O doutor ficou mudo por alguns segundos e vendo que eu já tinha respondido, ele continuou.
— Nada mais? — balancei a cabeça negativamente. — Ne…
— Na verdade, fico ansiosa pelo momento em que ele vai me responder de novo — o interrompi. Ele anotou algumas coisas. — Doutor, eu tô doente?
— O que você sente quando o vê ou ouve a voz dele?
— É a melhor sensação do mundo. É como se não existisse mais nada, sabe, doutor? É como se só existisse ele ali no momento pra mim, eu preciso me esforçar muito pra lembrar que ainda existe uma realidade que não seja apenas nós dois. Tentando exemplificar, é como se nós estivéssemos dentro de uma bolha ou no nosso mundinho onde ninguém mais pudesse existir ou nos atrapalhar. Doutor, eu tô dependente dele?
— Algo mudou em você depois de conhecê-lo?
— Tantas coisas, doutor… Ele me transformou em alguém melhor, sabe? Ele vive dizendo que não foi ele quem me transformou, que eu sempre fui assim e etc, mas não, doutor, eu não era assim, nunca fui! Com ele eu sou uma pessoa contente, um pouco mais confiante em mim mesma, não acordo mais de mau humor — o doutor soltou uma risadinha —, até minha auto estima aumentou! E eu nunca tive nenhum pinguinho dela. Ele me transforma numa pessoa melhor, doutor. E ele fala tanto que eu sou linda… Fala tanto que algum dia eu acho que eu vou acabar acreditando que eu sou.
— O que você mais gosta nele?
— Tudo — respondi rapidamente.
— Seja mais detalhada, filha.
— Bom — pensei por um momento. — Não há só uma coisa que eu goste nele. Eu gosto de tantas. Como por exemplo, quando eu tô com dor e ele dá um jeito de me fazer rir só pra eu esqueça da dor. Ou então quando ele começa a fazer palhaçada só pra me fazer rir e diz que meu sorriso é o sorriso mais lindo que ele já viu na vida. Eu gosto do jeito que ele é brincalhão, engraçado, divertido, eu gosto do modo com o qual ele me faz rir. Eu gosto do modo com o qual ele diz que me ama e gosto quando ele diz isso quando eu não tô esperando. Eu amo quando ele se declara pra mim, eu fico sorrindo igual uma idiota por uns cinco minutos consecutivos sem parar. Mas doutor, nada se compara a aquele sorriso dele, sabe? Só de lembrar já me dá vontade de sorrir… É só ele começar a erguer aqueles cantinhos daquela boca linda, formando aquela curvinha e deixando aqueles dentes à mostra pro meu mundo cair aos pés dele. Aquele sorriso… Ah, aquele sorriso. Eu poderia facilmente assinar qualquer papel dando toda minha fortuna pra qualquer se ele só pedisse isso sorrindo pra mim. Isso é, se eu fosse rica.
— Entendo.
— Doutor, por que o senhor não me responde minhas perguntas?
— Já ficou sem ele alguma vez? — ô seu velho.
— Já. E não foi nenhum pouco bom. Ou legal. Ou divertido. Nunca. Nunquinha. Nenhuma das vezes.
— O que foi? Por que os olhos marejados?
— Porque só de lembrar a época em que eu fiquei sem ele, me dói, doutor. Eu não quero passar por aquilo nunca na minha vida de novo, meu Deus, como aquilo doeu!
— E se você tivesse que ficar sem ele de novo? Como seria?
— Não vou ficar.
— Se tivesse que ficar, criança.
— Se tivesse, se visse que não tinha mais jeito mesmo de volta ou de nós dois termos um recomeço, eu teria que seguir minha vida, né? Se fosse melhor pra ele seguir a vida dele sem mim, o que eu poderia fazer?
— Você abriria mão dele?
— Não. Porque eu sou egoísta. Mas se ele chegasse em mim e dissesse que não queria mais, que acabou e sem mais volta, ou que não me ama, que cansou de mim, o que eu poderia mais fazer? Ainda assim, tentaria, mas… Não gosto nem de imaginar, doutor, já dá até uma faltinha de ar.
— O deixaria ser feliz com outra pessoa se ela fosse a felicidade dele?
— Não. Eu o convidaria pra ser infeliz comigo.
— Por que?
— Essas coisas só acontecem em filmes, doutor. Eu não vou deixar a pessoa que eu amo ser feliz com outra se eu sei que ele ainda me ama.
— Então, por q…
— Dá pra mudar o tópico? Porque eu não quero ficar falando em perder o amor da minha vida.
— Ele é?
— É.
— Tem certeza?
— Tenho. Como dois mais dois são quatro. Como o nascer do sol. Como ter que respirar pra viver. Como ter que beber água e se alimentar pra sobreviver.
— Você o ama?
— Não está meio óbvio aqui, doutor?
— Você o ama?
— Com todo meu coração.
— Só com ele?
— Com todo meu ser.
— Mais algo?
— Com toda minha alma e com o que de mais puro eu tenho no meu interior.
— Me fale um pouco sobre ele.
— Ele é chato. Muito. E gordo. Na verdade, gordinho. Na verdade, ele é gostoso pra caralho, mas ele é meu gordinho. Ele tem o sorriso mais lindo do mundo e a voz mais gostosa de escutar, principalmente quando acaba de acordar ou quando está cantando pra mim. Ele toca muito bem. Vários instrumentos. Doutor, ele é demais pra mim.
— Se acha que é demais pra você, por que acha que ele te escolheu?
— Queria saber. Ele diz que eu sou demais pra ele, que ele não é bom o suficiente pra mim, mas não é assim, doutor. Ele tem tantas qualidades e eu tantos defeitos e quando me olho no espelho, fico tentando entender o que ele viu em mim. Tão lindo e eu tão… normal. Ele tem tantas garotas aos pés dele, aposto que uma mais bonita que a outra e ainda assim ele prefere a mim. Eu espero que ele continue vendo o que ele viu em mim pra sempre, porque… Eu não quero perdê-lo. Me apavora só a ideia.
— Você sabe se essa ideia o apavora também?
— De me perder? — ele assentiu. — Ele diz que sim. Ele diz que não quer mais reaprender a viver sem mim. Doutor, me fala o que eu tenho!
— O que ele representa pra você?
— Hoje? Meu tesouro. Minha preciosidade. Meu coração.
— Você acha que ele poderia arrumar alguém melhor que você?
— Com certeza ele pode, doutor. Ele merece. Só que nenhuma delas, por melhor que elas sejam, vão amá-lo do jeito que eu amo, vão saber cuidar dele do jeito que eu cuido, vão saber mimá-lo do jeito que eu mimo, vão ir atrás dele do jeito que eu vou quando ele está com um bico do tamanho do monte everest, vão conhecê-lo tão bem como eu conheço, vão saber amá-lo do jeito que eu o amo.
— Muito bem.
— Doutor…
— Você não tem doença, você apenas está apaixonada. E muito apaixonada.
— Mas doutor, e o negócio de sufocar? Eu às vezes não consigo respirar não consigo eu simplesmente sinto como se fosse explodir de tanto amor porque ele não tá cabendo mais dentro de mim será que tem como eu colocar um pouco desse amor em uns potinhos e entregar pra ele porque eu não sei eu não tô…
— Não esqueça de respirar! — respirei. — Você quer entregar a ele esse amor? Ame-o, criança, apenas ame-o.
— Mais doutor?
— Sim. Mais, mais, mais. Ninguém nunca morreu de amor e nem nunca morrerá.
— E se ele enjoar?
— Se ele te amar do jeito que você diz que ele te ama, ele não enjoa. Porque cada vez que somos mais mais e mais amados, a tendência é o amor aumentar junto. Quanto mais carinho recebo, mais carinho eu dou. O mesmo com o amor, entendeu?
— Então posso amá-lo sem medo?
— Sim.
— Não vou explodir? — o doutor soltou uma risada alta.
— Não, criança.
— Obrigada, doutor! — fui até ele e o abracei. Ele se assustou de início, mas me abraçou também.
De amor ninguém nunca morreu, é. Se esse amor continuar crescendo do jeito que está… Ah, meu amor, você que me aguarde, porque terá que me aguentar pelo resto da sua vida! E vai. Vamos ficar juntos. Juntinhos. Até velhinhos, pro resto da vida, porque não existe pessoa mais certa e melhor pra mim, do que você.
Ocupado por tempo indeterminado...
Logo agora que as coisas estavam se ajeitando. Logo agora
que eu já tinha passado a vassoura e estava voltando com os baldes e panos para
terminar a faxina da bagunça que o último inquilino havia feito, me aparece
outro. Eu tinha certeza absoluta de que não entregaria a chave para mais
ninguém e que ficaria apenas comigo, apenas eu cuidaria e ninguém mais ao menos
tentaria tomar posse desse lugar, para que num futuro bem próximo, eu não
precisasse limpar novamente sozinha toda a bagunça que ficaria. Mas então, me
aparece um desconhecido que eu poderia ter trombado em uma calçada qualquer, um
bar qualquer, uma loja qualquer e se oferece pra ajudar na limpeza. Eu,
prontamente recuso, porque já basta de pessoas querendo ajudar e acabar
bagunçando mais ainda. Mas não adianta. Você continua insistindo e eu lhe
entrego um pedaço minúsculo de pano para que possa, talvez, não conseguir
limpar nada com aquilo. Mas por alguma maneira, você é persistente e consegue
deixar brilhando uma parte, que eu não havia conseguido, mesmo após passar
produtos e produtos. Após isso, ganha pontos comigo. Talvez você realmente
consiga me ajudar a organizar essa bagunça, e nada mais. “Nada de entregar as
chaves”, me lembro. Não, isso não acontecerá. Certo, mais um pedaço de pano...
Só mais um. Ok, talvez mais dois. Droga, isso não devia estar acontecendo. Eu
não conseguia identificar de onde vinha essa luz que estava começando a
iluminar o local, até que me viro pra você. Teu sorriso. Por que tem que ser
tão lindo? Sem empolgação. Enquanto você pula para outra parte do local, vou
pintar a placa de “entrada proibida” a não ser que seja convidado, o que acho
que será raro de acontecer. Ei, não pode colocar sua jaqueta aí em cima não.
Sem acomodações, por favor. Qual cor eu deveria pintar? Preta ou alguma cor
vibrante para enxergarem de longe? Te pergunto e você diz que se eu quero que
ninguém chegue perto, uma cor vibrante seria boa. Escolho amarelo. Cor
predominante do meu signo, talvez até resolva alguma coisa. Pensar mais em mim
e deixar um pouco os outros de lado. Droga, tire seus sapatos daí! Não, não,
nada de sentar pra descansar! Se quer descansar, procure teu próprio cômodo,
mas não aqui dentro. Certo, a placa está pronta e só falta arrumar onde
colocar. Você, como uma ótima pessoa, se oferece para colocar em determinado
local, o que eu acho ótimo, pois fica bem visível para qualquer um ver, ainda
mais naquelas letras amarelas gigantescas. Usei a minha melhor caligrafia para
não perceberem o meu desespero em praticamente gritar para que não ousem ao
menos chegar perto. E então eu olho para o lado e lá está você, sem jaqueta e
sapatos, como se fosse da casa. Grito com você para que os coloque novamente e
não pense que já é de casa, mas você me dá um sorriso tão lindo, dizendo que já
sabe disso e que só está à vontade porque está me ajudando com a faxina, e que
logo mais pega o que é seu e some. Acho justo. Certo, só por esse motivo então
você pode deixar suas coisas do jeito que estão. Aliás, pegue-as e as organize.
Coloque pelo menos em cima de algum lugar, não as deixe jogadas no chão. Merda,
aqui vou eu de novo me preocupando com algo de outra pessoa. Retiro o que disse
e que se dane suas coisas. Assim como que se dane você. Você então se vira pra
mim e diz que não preciso agir dessa forma, mas o que posso fazer se isso virou
meu mecanismo de proteção? Sempre que sinto que alguém vai querer algo demais,
quase que involuntariamente minha pele se transforma numa casca e se duvidar
solta até espinhos para afastá-los? Você diz que eu não preciso ser assim e que
as pessoas iriam tentar apenas aquilo que eu permitisse que tentassem. E eu me
pergunto por que é que você está dizendo essas coisas pra mim. Não dei
intimidade, dei? Só porque deixei você me ajudar a organizar essa bagunça, não
significa que você pode me dar conselhos ou dizer o que é bom ou não pra mim.
Se bem que você tem até razão. Mas me recuso a acreditar. Não, chega. Guarde
seus conselhos pra você. E não dê essa risada. Droga de risada gostosa de
ouvir. Saio de perto antes que me contagie e dê risada junto com você. Você se
vira e continua a limpar e eu dou um jeito de ir para o outro lado da salinha
limpar. Mas por que raios eu quero te olhar de novo? Viro um pouco meu olhar e
lá está você, olhando pra mim. Não faça isso! Não mexa comigo. Não me balance.
Subo em alguma coisa para limpar a parte mais alta e o pano cai da minha mão.
Ótimo. Perfeito. Como se fosse algo planejado, não, não é... Não pense que foi.
Tão prestativo, você se aproxima e pega pra mim, entregando na minha mão. Mil
vezes droga. Isso não está certo. Você não devia ser tão príncipe. Se bem que
eu prefiro o lobo mal, então está tudo bem. E do nada você solta que pode ser
um lobo mal quando eu quiser. Deu pra ler pensamentos agora? Você ri. Gargalha
na verdade e, droga, sou obrigada a morder meu lábio pra não rir junto com
você. Se controla. Me controlo. Saia dos meus pensamentos! Além de lê-los, quer
dominá-los? Isso não vai terminar bem. A não ser que eu te expulse. Mas eu não
serei tão mal-educada a esse ponto. Meus pais me deram bastante educação.
Agradeça há eles qualquer dia, se vê-los. E não ouse passar pela sua cabeça que
eu quero que fique. “Quer que eu fique aonde?” Eu disse em voz alta? Tapa na
testa pra deixar de ser tão idiota e burra. Pareço aquelas menininhas de doze
anos quando encontra o garoto pelo qual o coração, de alguma maneira resolveu
fazer “tum-tum” mais forte. Concentre-se na limpeza. A faxina. Adeus, bagunça!
Você me pergunta se eu não quero me sentar e descansar um pouco e eu digo que
não. Não posso descansar enquanto não tirar todo e qualquer resquício de um
alguém que passou e só deixou bagunça. Que encontrou tudo na mais perfeita
ordem e virou de ponta cabeça. Sente-se se quiser, só não acomode-se. “Do que
você realmente tem medo?” Alguém devia te ensinar que isso não é pergunta que
se faça há alguém. Mas ok, não sei do que tenho medo. Talvez meu maior medo
seja arrumar um quarto com uma cama, guarda-roupa e televisão para alguém que
esteja disposto há passar pouco tempo e não a vida toda. Que merda de clichê é
esse? Odeio quando o clichê entra na história, mas não dá pra viver sem. Chega
de perguntas, você é só um estranho que está fazendo uma boa-ação e logo vai
embora, não é? Não responda, apenas confirme com a cabeça. E você, marrento, balança
a cabeça negativamente. Era só o que me faltava. Um alguém prestativo,
marrento, da risada gostosa e do sorriso lindo. Mas quem dá as ordens aqui sou
eu e quero que você... Quero que você... Pare de sorrir! Viro de costas pra
evitar contato direto com seus olhos que também sorriem, mas não consigo,
viro-me no mesmo instante. Não cante vantagem disso e nem me cante. Aliás, me
cante se quiser. Que merda é essa? Foco. Presta atenção, está quase tudo limpo
e livre de bagunça causada por outras pessoas e já quer colocar alguém que
certamente vai revirar isso tudo de novo? Nada disso. Mas você também não
colabora comigo. “O que você quer que eu faça agora?” Não sorria mais pra mim
desse jeito, ou não dê risada, ou não me olhe, ou não fale comigo. Vá embora! “Quer
mesmo que eu vá?” Não! Fica. “Eu fico.” Não, mas você precisa ir. Não posso me
permitir dessa maneira de novo. E não se aproxima, fica longe, o mais longe
possível. Mas por que é que você não se afasta e só se aproxima? Afastar, o
oposto de se aproximar, faltou nessas aulas? E essa sou eu, me esquivando e
procurando outra coisa pra fazer. Sem encontrar. E esse teu sorriso, droga...
Só mais um passo, apenas mais um. Tá, pode sentar do meu lado... Mas não abusa!
E quando dou por mim, você já está segurando as minhas mãos e fazendo eu
gargalhar junto com você. Acho que terei que trocar de placa. Mudar de “entrada
proibida” para “ocupado”. Mas ocupado por quanto tempo? “Ocupado por tempo
indeterminado” você me responde.
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