Eu
pensava ser amor. Achava que era amor. Achava que era amor porque eu achava
aquela sua mania infeliz de me tirar do sério uma "gracinha". Achava que era
amor porque adorava quando você teimava comigo. Achava que era amor mesmo não
gostando de alguns cantores que você curte. Achava que era amor aquela vez que
você me olhou de moletom e disse que eu não precisaria de mais nada, que eu
estava linda daquele jeito. Achava que era amor aquela vez que você me acordou
e disse que gostava de mim daquele jeito, meio boba, como eu dizia ficar sempre
que acordava. Achava que eu não conseguiria carregar esse"‘amor" todo dentro de
mim sozinha.. sempre achei que uma hora ou outra ele iria explodir. Achava que
era amor, porque jurava que o meu coração havia mudado as batidas de "tum-tum" para o seu nome. Achava que era amor, porque eu me sentia bem ao seu lado,
sentia que não precisava fingir ser algo que eu não era só pra te agradar,
porque você sempre mostrou gostar de mim da maneira que eu era. Eu achava que
você era o homem da minha vida ou o futuro pai dos meus filhos, porque só de
ouvir a sua voz, meu coração quase saltava da minha boca. Eu podia imaginar nós
dois juntos, convivendo dia-a-dia, lado-a-lado. Podia imaginar como nossas
discussões terminariam ou como faríamos as pazes no dia seguinte. Qual de nós
dois daria o braço à torcer, por exemplo. Eu jurava que era amor quando me
apaixonei por uma música que eu não gostava quando te ouvi cantar. Achava que
era amor no momento em que me deparei com nós dois fazendo planos ou escolhendo
os nomes dos nossos futuros filhos. Achava que era amor quando você me disse
que queria ter dezesseis filhos e eu não protestei, apenas ri, concordando.
Podia ter sido amor também quando você me fez chorar ao escrever um texto pra
mim, expondo seus sentimentos, que parecia também ser amor. Tudo indicava que
era amor. Tudo apontava na direção do amor. Estavam lá, todas aquelas setas
enormes e luminosas praticamente gritando em meus ouvidos ou esfregando nos
meus olhos a palavra amor, amor, amor, amor… Porque era o que parecia estar
entre a gente. Parecia nascer isso entre a gente. Amor. Só que talvez não
fosse. Ou talvez fosse quando comecei a te conhecer melhor e saber que café era
teu vício e que você não se dava tão bem assim com teu pai. Talvez fosse amor,
porque eu poderia ouvir a tua risada vinte e quatro horas por dia, que não
reclamaria momento algum. Achava que era amor, porque quando desligávamos o
celular, eu já queria te ligar de novo e te ouvir perguntar o que havia
acontecido e eu apenas responder: "Nada, eu já estava com saudade". Achava que
era amor quando passávamos a manhã inteira trocando mensagens e logo em seguida
você me ligava e dizia já estar com saudades. Eu até te perguntava se tinha
como isso acontecer e você sempre respondia que a cada segundo que se passava,
a saudade aumentava, e só cessava quando você estava falando comigo. Como isso
não podia ser amor? É, mas não era. Talvez sim. Talvez sim no dia em que você
me pediu pra te namorar às três e vinte e sete da madrugada, alegando talvez
não ser o cara certo pra mim, mas que iria tentar e iria me fazer feliz como o
tal cara certo jamais faria. Eu acreditei ser amor e aceitei o pedido. Aceitei
porque eu tinha certeza, que mesmo você dizendo não me merecer, quem não te
merecia era eu. Aceitei porque eu tinha certeza, tal como dois e dois são
quatro, de que era você o cara certo. Tudo indicava que fosse! E mesmo que não
fosse, eu te faria ser. Eu te moldaria até se tornar o tal cara certo. Não
tiraria nenhum dos teus defeitos, porque eles davam o toque de perfeição em ti
que eu tanto amava. Tanto adorava. Tanto admirava. Achava que era amor porque
eu aceitei aquele seu pedido de casamento despretensioso, assim como você
aceitou os meus tantos pedidos de casamento feitos fora de hora. Achava que era
amor por causa do ciúme doentio que eu sentia por você. Sentia ciúmes daquela
sua ex, mas não admitia, porque não queria que pensasse que eu era fraca ou
possessiva. Mas eu era. Ambos. Fraca, porque morria de medo de te perder. E
possessiva, porque morria de medo de te perder. Em dobro. Em triplo. Porque
sempre tive certeza de que tinham outras melhores que eu lá fora. Que poderiam
te fazer mais feliz, mais sorridente, porém não mais amado. Não mais amado
porque eu achava que era amor. Jurava que era amor. O que eu sentia só podia
ser amor. Mas não era. Na verdade, era sim. Era não, é. É amor porque eu sinto
a sua falta cada segundo que se passa no relógio. É amor porque eu ouço a sua
voz me chamando mesmo sem estarmos conversando. É amor porque a cada dia que
passa, sinto meu peito quase explodir, querendo te gritar, te pedir pra voltar.
Mas talvez não fosse amor suficiente pra te fazer ficar. Talvez não fosse amor
suficiente pra não te fazer ir embora. Achava que era amor, porque achava que
você fosse ficar grudado em mim pra sempre. Preso em mim pra sempre. Preso
mesmo. Como se fosse uma prisão. Te prenderia e não deixaria ninguém te ver, te
tocar. Talvez a culpada não fosse eu. Talvez fosse você. Ou talvez não fossemos
nenhum de nós dois, e sim o destino que nos uniu e depois de alguma maneira nos
separou. Achava que era amor no momento em que apenas imaginar ficar sem você,
doía e me vinha aquele bolo de lágrimas na garganta. Achava que era amor. Mas
não era apenas amor. É amor. E é amor dos mais puros e mais bonitos que já vi e
talvez já senti em toda minha vida. E é tão amor que eu estou disposta à
esperar o tempo que for, por que como viver feliz sem o que você vê que é a tua
felicidade em forma humana?
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