segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Achei que fosse amor...

Eu pensava ser amor. Achava que era amor. Achava que era amor porque eu achava aquela sua mania infeliz de me tirar do sério uma "gracinha". Achava que era amor porque adorava quando você teimava comigo. Achava que era amor mesmo não gostando de alguns cantores que você curte. Achava que era amor aquela vez que você me olhou de moletom e disse que eu não precisaria de mais nada, que eu estava linda daquele jeito. Achava que era amor aquela vez que você me acordou e disse que gostava de mim daquele jeito, meio boba, como eu dizia ficar sempre que acordava. Achava que eu não conseguiria carregar esse"‘amor" todo dentro de mim sozinha.. sempre achei que uma hora ou outra ele iria explodir. Achava que era amor, porque jurava que o meu coração havia mudado as batidas de "tum-tum" para o seu nome. Achava que era amor, porque eu me sentia bem ao seu lado, sentia que não precisava fingir ser algo que eu não era só pra te agradar, porque você sempre mostrou gostar de mim da maneira que eu era. Eu achava que você era o homem da minha vida ou o futuro pai dos meus filhos, porque só de ouvir a sua voz, meu coração quase saltava da minha boca. Eu podia imaginar nós dois juntos, convivendo dia-a-dia, lado-a-lado. Podia imaginar como nossas discussões terminariam ou como faríamos as pazes no dia seguinte. Qual de nós dois daria o braço à torcer, por exemplo. Eu jurava que era amor quando me apaixonei por uma música que eu não gostava quando te ouvi cantar. Achava que era amor no momento em que me deparei com nós dois fazendo planos ou escolhendo os nomes dos nossos futuros filhos. Achava que era amor quando você me disse que queria ter dezesseis filhos e eu não protestei, apenas ri, concordando. Podia ter sido amor também quando você me fez chorar ao escrever um texto pra mim, expondo seus sentimentos, que parecia também ser amor. Tudo indicava que era amor. Tudo apontava na direção do amor. Estavam lá, todas aquelas setas enormes e luminosas praticamente gritando em meus ouvidos ou esfregando nos meus olhos a palavra amor, amor, amor, amor… Porque era o que parecia estar entre a gente. Parecia nascer isso entre a gente. Amor. Só que talvez não fosse. Ou talvez fosse quando comecei a te conhecer melhor e saber que café era teu vício e que você não se dava tão bem assim com teu pai. Talvez fosse amor, porque eu poderia ouvir a tua risada vinte e quatro horas por dia, que não reclamaria momento algum. Achava que era amor, porque quando desligávamos o celular, eu já queria te ligar de novo e te ouvir perguntar o que havia acontecido e eu apenas responder: "Nada, eu já estava com saudade". Achava que era amor quando passávamos a manhã inteira trocando mensagens e logo em seguida você me ligava e dizia já estar com saudades. Eu até te perguntava se tinha como isso acontecer e você sempre respondia que a cada segundo que se passava, a saudade aumentava, e só cessava quando você estava falando comigo. Como isso não podia ser amor? É, mas não era. Talvez sim. Talvez sim no dia em que você me pediu pra te namorar às três e vinte e sete da madrugada, alegando talvez não ser o cara certo pra mim, mas que iria tentar e iria me fazer feliz como o tal cara certo jamais faria. Eu acreditei ser amor e aceitei o pedido. Aceitei porque eu tinha certeza, que mesmo você dizendo não me merecer, quem não te merecia era eu. Aceitei porque eu tinha certeza, tal como dois e dois são quatro, de que era você o cara certo. Tudo indicava que fosse! E mesmo que não fosse, eu te faria ser. Eu te moldaria até se tornar o tal cara certo. Não tiraria nenhum dos teus defeitos, porque eles davam o toque de perfeição em ti que eu tanto amava. Tanto adorava. Tanto admirava. Achava que era amor porque eu aceitei aquele seu pedido de casamento despretensioso, assim como você aceitou os meus tantos pedidos de casamento feitos fora de hora. Achava que era amor por causa do ciúme doentio que eu sentia por você. Sentia ciúmes daquela sua ex, mas não admitia, porque não queria que pensasse que eu era fraca ou possessiva. Mas eu era. Ambos. Fraca, porque morria de medo de te perder. E possessiva, porque morria de medo de te perder. Em dobro. Em triplo. Porque sempre tive certeza de que tinham outras melhores que eu lá fora. Que poderiam te fazer mais feliz, mais sorridente, porém não mais amado. Não mais amado porque eu achava que era amor. Jurava que era amor. O que eu sentia só podia ser amor. Mas não era. Na verdade, era sim. Era não, é. É amor porque eu sinto a sua falta cada segundo que se passa no relógio. É amor porque eu ouço a sua voz me chamando mesmo sem estarmos conversando. É amor porque a cada dia que passa, sinto meu peito quase explodir, querendo te gritar, te pedir pra voltar. Mas talvez não fosse amor suficiente pra te fazer ficar. Talvez não fosse amor suficiente pra não te fazer ir embora. Achava que era amor, porque achava que você fosse ficar grudado em mim pra sempre. Preso em mim pra sempre. Preso mesmo. Como se fosse uma prisão. Te prenderia e não deixaria ninguém te ver, te tocar. Talvez a culpada não fosse eu. Talvez fosse você. Ou talvez não fossemos nenhum de nós dois, e sim o destino que nos uniu e depois de alguma maneira nos separou. Achava que era amor no momento em que apenas imaginar ficar sem você, doía e me vinha aquele bolo de lágrimas na garganta. Achava que era amor. Mas não era apenas amor. É amor. E é amor dos mais puros e mais bonitos que já vi e talvez já senti em toda minha vida. E é tão amor que eu estou disposta à esperar o tempo que for, por que como viver feliz sem o que você vê que é a tua felicidade em forma humana?

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